Zygmunt Bauman

Site de admiradores do sociólogo polonês Zygmunt Bauman

Quem é Zygmunt Bauman

Bauman nasceu em Poznan, Polônia, em 19 de novembro de 1925. De origem pobre e judia, fugiu aos 14 anos para a União Soviética durante a invasão alemã. Mais tarde alistou-se no exército para combater os alemães junto a frente polonesa. Ainda no exército iniciou os estudos em Varsóvia onde cursou a Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais. Influenciado por Stanislaw Ossowski e Julian Hochfeld desde a graduação, dedicou-se a sociologia motivado pelas lutas por mudanças e melhorias sociais na Polônia. Em 1957 defendeu seu doutorado em Sociologia e passou a ser professor assistente na Universidade de Varsóvia onde em 1960 passa a ocupar a cadeira de sociologia geral da universidade. Em 1968, por conta dos desgastes e censuras cometidos contra intelectuais e estudantes judeus que lutavam contra o sistema unipartidário polonês, Bauman precisa sair da Polônia. Passa por um período de mudanças passando pelas Universidades de Tel Aviv, em Israel, depois passa pelo Canadá, Praga, Viena e Austrália e em 1971 chega a cidade de Leeds na Inglaterra. Ali, no Departamento de Sociologia da Universidade de Leeds, ocupou por vinte anos o cargo de professor titular. Recebeu prêmios como o AMALFI pela obra “Modernidade e Holocausto” em 1989 e ADORNO em 1998 pelo conjunto de sua obra. Atualmente, aos 89 anos, mora em Leeds e é professor emérito de sociologia das Universidades de Leeds e Varsóvia.

 

http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html

 

A idade não impede que sua produção aumente a cada dia. O autor vem se dedicando a produção de novas obras e o mercado brasileiro tem traduzido para o português muitas de seus livros mais antigas, o que faz do autor um dos sociólogos com mais livros nas prateleiras das livrarias. Surpreendentemente tem recebido críticas por conta de sua produção numerosa, com argumentos que vão desde um suposto interesse mercadológico excessivo por parte dele, até críticas a sua interpretação sobre a sociedade atual e a não filiação com as mais tradicionais correntes do pensamento sociológico.

Conquistou notoriedade internacional a partir de 1980 e no Brasil a partir de 1990, em função da tradução de seus livros. Destaca-se por utilizar variada combinação entre filósofos, sociólogos, antropólogos de diferentes perspectivas teóricas. Entre as influências em sua obra, segundo comentaristas do exterior, estão autores como Marx, Gramsci, Adorno, Foucault, Levinas, Arendt, Baudrillaerd, Habermas, Derrida, Rorty, Simmel, Freud, Camus, Kafka, Dostoiévski, Kundera, Borges, Bourdieu, entre outros.    

No entanto, diz:

Na verdade, nunca “pertenci” a escola, a qualquer ordem monástica, comunidade intelectual, partido político ou grupo de interesse; não solicitei admissão em nenhum deles, muito menos fiz muita coisa para merecer um convite; nem seria eu relacionado por algum deles – pelo menos em termos irrestritos – como “um dos nossos”. Creio que minha claustrofobia é incurável – sentindo-me, como tendo a me sentir, desconfortável em qualquer sala fechada, sempre tentando descobrir o que está do outro lado da porta. Acho que estou destinado a permanecer um outsider até o fim, faltando-me, como me faltam, as qualidades indispensáveis de um insider acadêmico: lealdade a uma escola, conformidade a seus procedimentos e disposição de aceitar os critérios de coesão e coerência endossados por essa escola. E, francamente, isso não me importa (2012, p. 103). 

 

http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/bauman-talvez-estejamos-em-plena-revolucao/

 

A obra de Bauman, segundo Beilharz (2000), Smith (2000) e Blackshaw (2005), que estão entre os principais comentadores da sua obra em nível internacional, pode ser dividida em fases. Vamos seguir essa divisão, mas no entanto, apenas com o objetivo de organização das obras do pensador do ponto de vista didático, não sendo nosso objetivo destacá-las em nível de importância ou qualidade por meio dessa separação. Entre os anos 1960 e 1975 (primeira fase) ele faz análises baseadas na relação entre socialismo e capitalismo o que poderia ser considerada sua fase Marxista (Tester, 2004). Diga-se de passagem, essa fase é aquela que menos é conhecida no Brasil, provavelmente pela falta de obras traduzidas já que em países vizinhos, como a Argentina, é possível encontrar traduzidas para o espanhol obras como Socialism: The Active Utopia (1976).

Em meados dos anos 1980 (segunda fase) ele publica três livros que que marcam a ruptura com essa primeira fase e a chegada das perspectivas que para alguns podem ser consideradas pós-modernas. Bauman não se considera um pós-moderno e isso fica evidente na obra Bauman sobre Bauman (2012b).

É a partir dos livros Legisladores e Intérpretes (1987), Modernidade e Holocausto (1988) e Modernidade e Ambivalência (1991) que Bauman inicia sua crítica a modernidade e suas “utopias/distopias” e que aumenta seu interesse de maneira pelo tema da moral. A partir daí, o conceito chave de sua obra para ser a ordem que é fundamental para sua análise da civilização moderna. Na trilogia acima apontada esse conceito aparece como central em seus escritos.

 

http://portalimprensa.com.br/noticias/internacional/74798/para+zygmunt+bauman+noticia+precisa+entreter+para+chamar+atencao+do+leitor

 

A ideia de império da ordem aparece na obra Legisladores e Interpretes (idem) mostrando que as ações na modernidade são previsíveis por não estarem submetidas ao acaso e submetidas a uma hierarquia irrestrita. Há uma ideia de que existe alguém no controle das situações que interfere nas probabilidades, manipula situações e garante que as coisas não ocorram de maneira contingente. O autor evidencia que: “[...] um direito monopolista de atribuir sentido e de julgar todas as formas de vida a partir do ponto de vista superior desse monopólio é a essência da ordem social moderna” (1999). Estariam definidos, portanto, os padrões racionais e cognitivos que são a chave para que as sociedades prossigam de forma ordenada e atentas a qualquer possibilidade de inflexão. Analisa, no entanto, que o sonho moderno acabou reproduzindo seu contrário o que chama ambivalência. A utopia acabou se transformando em distopia. 

 

http://culturamidiaeducacao.blogspot.com.br/2013/10/zygmunt-bauman-ahora-se-que-el-exceso.html

 

Outro comentador internacional chama a terceira fase de “mosaica” (Tester, 2000). Assim como outros sociólogos contemporâneos Bauman vai evitar os problemas semânticos da “pós-modernidade” criando conceito alternativo. Ele vai utilizar a metáfora da liquidez originado da famosa frase que diz que “tudo que é sólido se desmancha no ar”, como maneira de interpretar a realidade social atual e toda sua complexidade. Lança, para isso, no ano 2000, obra intitulada Modernidade Líquida (2000).

 

Fontes:

ALMEIDA, Felipe Quintão de; GOMES, Ivan Marcelo; BRACHT, Valter. Bauman & a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

BAUMAN, Zygmunt. Bauman sobre Bauman: diálogos com Keith Tester. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012.

BEILHARZ, Peter. Zygmunt Bauman: Dialectic of Modernity. London: Sage Publications, 1999.

BEILHARZ, Peter. The Bauman Reader. Oxford: Blackwell, 2001.

BEILHARZ, Peter. Zygmunt Bauman (four-volume Set, Sage masters in modern Social Theory). London: Sage Publications, 2002.

BLACKSHAW, Tony. Zygmunt Bauman. Editora Psychology Press, 2005.

SMITH, Dennis. Zygmunt Bauman: Prophet of Postmodernity. cambridge: Polity Press, 1999.

Quem somos

NESC: Núcleo de Estudos de Sociologia Contemporânea - Direito e Cidade

 

Este é um site construído por e para admiradores brasileiros de Zygmunt Bauman. Foi com a ideia de divulgar textos, vídeos, entrevistas e conteúdo sobre a obra, produção e vida do sociólogo polonês, que construímos esse site. Não se trata de um site do próprio autor, senão de página criada por estudantes que admiram sua obra e desejam compartilhar com outras pessoas material a respeito dele e trocar ideias sobre os temas de interesse de seus participantes. 

 

 

Meu nome é João Nicodemos Martins Manfio, sou Sociólogo, formado em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professor de graduação na UNISOCIESC (sou professor Dedicação Exclusiva de disciplinas como Sociologia, Antropologia, Sociologia Jurídica, Introdução as Ciências Sociais e Políticas, Estudos Sociais e Econômicos, entre outras, dos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo, Ciências Contábeis e Direito no campus de Joinville-SC) e doutorando em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) sob a orientação do prof. Edgard de Assis Carvalho.

 

 

Desde de 2012 temos um grupo de estudos com o nome de NESC (Núcleo de Estudos de Sociologia Contemporânea: Direito e Cidade) que se reúne com periodicidade mensal (algumas vezes a cada três semanas) para estudar e discutir obras de autores da sociologia/filisofia/antropologia como Anthony Giddens, Pierre Bourdieu, Norbert Elias, Howard Becker, Richard Sennett, Erving Goffman, Michel de Certeau, David Le Breton, Ulrich Beck, Pierre Levy, Bruno Latour, Peter Berger, Thomas Luckmann, Peter Sloterdijk, Byung-Chul Han, Michel Foucault, Edgar Morin, Zygmunt Bauman e seus comentadores. Também nos interessamos pelas “teorias do Brasil” de Roberto DaMatta, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e seus comentadores e críticos.

Participam do grupo alunos, ex-alunos, amigos e interessados em sociologia, antropologia e educação superior. Nosso grupo é aberto ao público em geral, aceita contribuições e está disposto a dialogar e trocar ideias e experiências. O grupo foi fundado na UNISOCIESC (Joinville, SC) e está vinculado aos cursos de graduação em Direito, Arquitetura e Urbanismo, Administração e Ciências Contábeis.

O grupo se reúne na UNISOCESC (campus Marquês de Olinda) em Joinville - SC, normalmente aos sábados. Nosso grupo já participou de eventos e congressos no Brasil e exterior e nosso desejo é se consolidar como grupo de pessoas interessadas em sociologia para ampliar e qualificar cada vez mais nossos trabalhos e pesquisas. Esse ano (2016) o NESC estará também como grupo de pesquisa cadastrado no CNPQ.

Desde 2014 temos dedicado nosso tempo no grupo mais especificamente ao estudo das obras de Bauman. Meu interesse pessoal nesse pensador se iniciou na graduação, mas teve seu ápice em 2012 quando pude conhecê-lo pessoalmente em Leeds (Inglaterra - foto abaixo) em uma visita a sua casa por intermédio de colega de SP que fora orientado por ele na época de seu doutoramento na Universidade de Leeds onde Bauman lecionou boa parte da vida.

 

 

 

Tive ainda mais duas oportunidades de conversar pessoalmente com Bauman no ano passado (2015): uma no Rio de Janeiro quando participou de evento como palestrante (foto abaixo) e outra novamente em Leeds (foto abaixo) quando fiz nova visita a ele em sua casa (minhas duas visitas a ele em Leeds renderam duas entrevistas que podem ser conferidas aqui mesmo no site). Tenho atualmente trabalhado no doutorado sobre o tema cultura a partir do pensamento de Bauman. 

 

Grande abraço a todos, esperamos a participação de vocês (virtualmente ou nos encontros do NESC).

prof. João Manfio

 

NESC

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